Guia prático
Vacinas durante o tratamento do câncer: quais tomar, quando e onde
Durante o tratamento, as defesas do corpo ficam mais fracas e uma infecção pode atrasar a quimioterapia ou a cirurgia. As vacinas certas, na hora certa, protegem você e o seu tratamento.
Por que vacinar
Quem tem câncer pega infecções com mais facilidade, e elas costumam ser mais graves. A pneumonia causada pelo pneumococo, por exemplo, é muito mais comum:
Na gripe, o risco de internação é cerca de quatro vezes maior, e a vacina reduz bastante o risco de morte. Durante o tratamento, a vacina pode proteger um pouco menos que o normal, mas sempre protege.
Dois tipos de vacina
- Vacinas inativadas (feitas com o micróbio morto ou só com um pedaço dele). São seguras durante o tratamento. Exemplos: gripe, covid-19, pneumococo, hepatite B, tétano e coqueluche, HPV e herpes-zóster.
- Vacinas vivas (feitas com o micróbio vivo, mas enfraquecido). Não devem ser tomadas durante o tratamento, porque podem causar a própria doença em quem está com as defesas baixas. Exemplos: febre amarela, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), catapora, dengue e a gotinha da pólio.
Quando tomar
- O melhor momento é antes de começar o tratamento: as vacinas inativadas, de preferência pelo menos duas semanas antes, e as vivas, cerca de um mês antes, se forem necessárias.
- Durante o tratamento, as inativadas podem ser tomadas. Às vezes é preciso repetir alguma dose depois.
- Depois do tratamento, as vacinas vivas só devem ser tomadas pelo menos três meses após o fim da quimioterapia ou da radioterapia, e com liberação da equipe.
- Com febre ou com as defesas muito baixas no exame de sangue, a vacina deve ser adiada.
As vacinas mais importantes
- Gripe: todo ano. A partir dos 60 anos, existe uma versão de dose mais alta, que protege melhor.
- Covid-19: todo ano, pelo SUS, para quem tem câncer.
- Pneumococo: protege contra pneumonia e meningite. O esquema depende de quais você já tomou; a sua equipe orienta.
- Herpes-zóster (a "cobreiro"): para quem tem mais de 50 anos ou está com a imunidade baixa a partir dos 18. São duas doses. Disponível na rede particular.
- Hepatite B: esquema reforçado, com um exame de sangue depois para confirmar a proteção.
- Tétano, difteria e coqueluche: mantenha em dia.
- HPV: três doses, para quem está na faixa de idade indicada.
- Vírus sincicial respiratório (VSR): nova vacina para quem tem 60 anos ou mais, em dose única.
A família também precisa se vacinar
Quem mora com você ou cuida de você deve manter as vacinas em dia, principalmente gripe, covid-19 e coqueluche. Assim, eles não levam infecções para dentro de casa.
- A família pode tomar vacinas vivas, como a tríplice viral e a da catapora. Só a gotinha da pólio deve ser trocada pela versão injetável.
- Se a pessoa da casa tomar a vacina da catapora e aparecerem bolhinhas na pele, ela deve evitar contato próximo com você até as lesões secarem.
Onde tomar
Muitas vacinas estão no posto de saúde. Outras, indicadas especialmente para quem tem câncer, ficam nos CRIE (Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais), que existem em todos os estados. Para usar o CRIE, você precisa de um pedido do seu médico. Algumas vacinas, como a do herpes-zóster e a do VSR, só existem na rede particular.
Leve este guia para a sua próxima consulta e peça à equipe para revisar a sua carteira de vacinação. O ideal é fazer isso logo no diagnóstico, antes de começar o tratamento.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Vacinação no Paciente Oncológico, 2ª edição. Coordenação: Maria Ignez F. M. Braghiroli.
Conteúdo informativo. O seu esquema de vacinas deve ser definido com a sua equipe.